O fator humano, do ultrassom à genômica

À plateia do ‘Estadão Summit Saúde 2019’, cientista lembrou do tempo em que os médicos rejeitavam a ultrassonografia, mas recomendou cuidado com ‘inovação a qualquer preço’

Inovação em saúde nem sempre custa caro. Também não deve ter como meta prolongar a vida a qualquer preço. Essas ideias têm sido o “corolário” do médico e cientista Fábio Latuf Gandour, keynote speaker do Summit Saúde Brasil 2019. Em entrevista ao Estado após a fala que abriu o evento, “pensada para provocar a plateia”, Gandour refletiu sobre os dilemas médicos da atualidade: como profissionais da saúde e da ciência, que estão à frente da inovação, precisam ter em mente que o foco da inovação tecnológica deve ser a qualidade de vida do paciente. Gandour, PhD em Ciências da Computação, atingiu o posto de cientista-chefe do laboratório da IBM Research Division no Brasil, empresa na qual trabalhou por quase 30 anos.

Já houve algo tão revolucionário em saúde quanto o que vivemos hoje em dia?

A gente já teve atitudes inovadoras que produziram grandes impactos, sem proporcionar grande aumento de custo. Um exemplo legal é o ultrassom. É uma inovação fantástica porque, antes, a produção de imagens investigativas da condição interna do ser humano passava pelo raio X. Pense num indivíduo que lá atrás teve câncer de pulmão: ele foi tão radiografado que, por vezes, nem morre de câncer, mas de fibrose pulmonar. A inovação é absolutamente necessária, desde que tenha fundamentos técnicos e científicos sólidos, e que esteja nas mãos de pessoas que vão persistir em sua implementação e disseminação.

O senhor se preocupa com algo que saia do controle?

Não tenho preocupação com inovação na saúde. A preocupação que tenho é com o aumento da sobrevida. Minha preocupação é num nível quase filosófico. Quanto mais gente viva houver no planeta, mais a gente vai explorar suas potencialidades sustentáveis. Quando a gente fala de aumento de população, não é só mais gente. É mais gente comendo, mais gente usando metrô, mais gente consumindo água. É esse tipo de circunstância que me preocupa, por conta da eficácia da medicina moderna.

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